Acordei naquela manhã de domingo e observei pela
janela que algo estava diferente. Seria aquilo um sonho? Sonho ou não, o céu
estava em cores jamais vistas, o tradicional azul havia sido substituído pelo
preto e branco e o Sol amarelo brilhava solitário em meio alvinegro.
Aquilo me deixara pasmo, belisquei-me para testar
se era um sonho, o beliscão fora tão forte que soltei um grito, mas a única
coisa que saíra de minha boca fora um sonoro “Galo!”. Fui até o banheiro e ao
abrir torneira, a água que sairá pelo cano era negra. Não era uma negrura de
sujeira, a tonalidade lembrava às águas do Mar Negro.
Será que aquilo era um fenômeno meteorológico ou
algo do tipo? Liguei a televisão para tentar descobrir a causa daquela
anormalidade, mas todos os canais mostravam doidos vestidos com camisas
listradas em preto e branco, eram loucos que pareciam se conhecer, tinham algo
em comum, além da camisa listrada. Cantavam músicas e gritavam, pareciam
felizes com aquele mundo marcado pelo preto e pelo branco. Em outro canal era
mostrado imagens de satélites, que mostravam todo o azul da terra substituído
pelo preto. O “planeta azul” se tornara o “planeta negro”.
Embora tudo aquilo me deixara um tanto quanto receoso,
eu precisava seguir minha rotina de domingo, certamente aquele fenômeno estaria
ligado a posição do planeta perante ao Sol ou algo do tipo. Tomei banho e fui
me vestir para tentar manter meu domingo o mais perto possível do normal.
Quando abri o guarda-roupa, mais uma surpresa, todas as minhas camisas estavam
como aquelas dos doidos que vi pela televisão, com listras verticais pretas e
brancas.
Escolhi a camisa que tinha listras mais finas, pois
a achei mais bonita. Ao sair de casa rumo a meus afazeres, me deparei com
aquele grupo de doidos que cantavam e gritavam. Algo ali me puxava para perto deles,
não consegui reagir, quando percebi estava junto a eles cantando “Nós somos/ Do
Clube Atlético Mineiro/ Jogamos com muita raça e amor...”. Algo ali me deixava
anestesiado, a letra daquela música vinha do fundo do peito, eu estava feliz
por estar ali junto àqueles insanos no dia em que o mundo estava em preto e
branco.
Pelo tempo que fiquei junto aqueles malucos,
percebi que a insanidade deles não eram uma insanidade qualquer, era apaixonada e ao mesmo tempo apaixonante. Eles eram fascinados
pelo preto e pelo branco e tal fascínio era contagiante. As músicas,
principalmente aquela cantada em primeira pessoa, encantavam a todos tano que a aglomeração
de doidos só aumentava. Quando meu relógio já marcava 22 horas, o céu
permanecia preto e branco e aquela estrela solitária continuava mostrar seu
brilho.
Alguns minutos, talvez horas se passaram e então
mais loucos iam chegando, alguns deles traziam bandeiras e outros tinham em
suas mãos sinalizadores que brilhavam nas mais variadas cores (exceto o azul) e
se destacavam em meio ao preto e ao branco. Conversamos por horas e sobre diversos assuntos
entre eles sobre o dia alvinegro. Batemos papo até o cansaço não permitir mais.
Cheguei em casa contente por ter vivido junto aqueles insanos um dos melhores
dias de minha vida, o dia dos sonhos para qualquer atleticano, o dia alvinegro.
Naquele domingo conheci dezenas de pessoas que hoje
considero como uma família. Se me perguntarem o que temos em comum, eu
respondo: a paixão insana pelo preto e pelo branco. E digo mais, essa família alvinegra tem
o poder de transformar o mais azul dos dias em preto e branco.
ABRAÇO INSANOS!
Matheus Canazart






Muito bom o texto Canafap. Um dia o mundo vai ficar assim, com certeza. GAAALOOO!!!!
ResponderExcluirquem dera se fosse exatamente tudo igual vc falou grande Matheus ! queeeem me dera... Mas é isso ai mais um lindo texto como sempre ! eu nao sei de onde vc tira tanta criatividade eu acho que vc devia ser um escritor do tipo Carlos Drumond de Andrade ou Vinicius de Morais ! você é foda mlk, tenho orgulho de ser seu amigo ! (tomara que vc copia esses textos de algum lugar #TOMARA)
ResponderExcluirbelas palavras Mateus...ver um dia alvinegro é o sonho de todo atleticano...
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