Era início da manhã de uma sexta-feira quando o celular do Sr. Paulo Knipel começou a tocar. O toque lembrava a trilha sonora dos filmes ”Missão Impossível”. Antes de chamar pela segunda vez, o homem com longas barbas grisalhas e cabelos atendeu. Do outro lado da linha um homem de voz grave precisava dos serviços investigativos do detetive Paulo, porém a razão parecia um pouco complexa para ser tratada pelo telefone. Por esse motivo, o homem misterioso passou ao detetive o endereço de seu escritório, localizado em um bairro nobre da cidade de Belo Horizonte.
Assim que pôde, o detetive entrou em seu carro e se encaminhou rumo ao endereço indicado. Chegando ao ponto de encontro, o homem de voz grave aguardava o investigador. Após cumprimentos e conversa jogada fora, chegou a hora da proposta. O “cliente” queria contratar o investigador para que ele descobrisse o porquê da paixão da torcida atleticana para com o time. O Sr.Knipel, sem titubear, aceitou o que fora proposto e imaginou que acharia a resposta de tal dúvida relativamente fácil.
No caminho de volta para casa, o detetive imaginava por onde deveria começar a investigação. “O que faz uma torcida ser apaixonada por um time de futebol?”, pensou Paulo. A resposta veio logo que imediata em sua mente: “Títulos e conquistas”. Sendo assim, o senhor de cabelos e barbas grisalhas já sabia por onde começar a busca para tal dúvida. Chegando em casa, o detetive ligou o computador e buscou na internet “Títulos do Atlético MG”. Em todos os sites que entrou a lista era encabeçada pelo “Campeonato Brasileiro de 1971” e, em seguida, vinham 40 Campeonatos Mineiros, 2 Taças Conmebol e algumas outras conquistas que estavam em segundo plano.
Após uma detalhada pesquisa sobre cada uma das conquistas, o investigador descobriu que os principais títulos eram de muitos anos atrás. Ainda assim, Sr. Knipel queria visitar a sala de troféus do clube, onde teria conhecimento de cada uma das taças conquistas. Logo que virou a esquina da Rua Bernado Guimarães com Av. Olegário Maciel, o detetive avistou a sede administrativa do Clube e nela os troféus que ficavam em uma espécie de vitrine exposta para todos que passassem em frente ao prédio.
O investigador parou em frente à “vitrine” observando troféu por troféus, sobre quais títulos eles diziam respeito e fazendo diversas anotações. Não confiando em sua pesquisa na internet e nem mesmo em suas anotações, Paulo Knipel ficou parado em frente a sala vendo se encontrava alguma Taça Libertadores da América ou um Mundial Interclubes da FIFA. Ao final da minuciosa busca, o investigador tomou consciência de que realmente aqueles troféus não faziam parte da história do Clube.
Ainda em frente à sede, Knipel avistou um homem alto e magro de no máximo 28 anos, vestido com a camisa do Atlético. O homem parecia estar gravando alguma coisa e, junto a ele, estavam cerca de três ou quatro jovens de no máximo 17 anos. Sabendo que eles eram atleticanos, o detetive questionou ao mais velho quando seria o próximo jogo do Atlético. “Amanhã” foi a resposta do magrelo, que logo completou: “Mas agora o senhor só encontrará ingressos na mão de cambistas, todos já foram vendidos! O jogo de amanhã promete”. O detetive logo perguntou se aquele jogo era válido por uma disputa de campeonato. Dessa vez quem respondeu foi um jovem de cabelos bem curtos, quase careca: “Não, o jogo será válido pela primeira fase do Campeonato Mineiro”. Knipel agradeceu a cordialidade dos atleticanos e se afastou.
A surpresa tomava conta do detetive que não acreditara que um jogo de Campeonato Mineiro iria atrair tantas pessoas a um estádio. Paulo queria ver como aqueles “loucos” se comportavam no estádio e, sendo assim, o senhor de barbas grisalhas foi atrás daquele homem moreno e forte, conhecido como “Nego”. Ele oferecia ingressos por um preço acima do normal. Aproximando do homem, logo lhe foi ofertado um ingresso de Portão 2 por 50 reais e, não vendo outro jeito, o detetive comprou o ingresso e voltou para casa.
Assim que chegou em casa, Knipel ligou o computador e acessou a internet. Embora os conhecimentos em informática fossem um tanto quanto limitados, o investigador pesquisou imagens e informações sobre a torcida do Atlético, assistiu diversos vídeos e o fanatismo daqueles torcedores chamados de “Massa Atleticana” impressionou o detetive, que estava ansioso para ver tudo àquilo de perto e enfim conseguir responder a dúvida do homem.
ABRAÇÃO MASSA!






Ficou muito bom, Matheus "Paulo Coelho" Canazart.
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