domingo, 8 de abril de 2012

Gritos

Embora o dia 4 de dezembro ainda estivesse na cabeça, o domingo de páscoa era aguardado por mim desde o início do ano. Não por ser páscoa, mas por ser dia de jogo do Galo contra o time azulado. A expectativa pelo jogo não permitiu que eu tivesse uma boa noite de sono, talvez os gritos do dia 4 fossem responsáveis por perturbar meu sono. Mas dia 8 seria diferente, dessa vez eu não dormiria incomodado com os gritos de terror e sim com os gritos de felicidade.

Enquanto tirava um cochilo pela manhã, fui acordado pelo despertador que cantava “Clube Atlético Mineiro, Galo, Sinônimo de raça!”. Seria aquela música da Galo Rock Band um sinal para o que aconteceria em campo naquele dia? Ainda um pouco sonolento, perguntas gritavam em minha mente. O que acontecera com aquele time de raça do Atlético que hoje só estava presente na memória dos torcedores? Será que algum dia a gana, antes característica, sairia da reminiscência e entraria em campo?

Antes de o jogo começar, o que se via nas ruas eram atleticanos que puxavam do fundo do peito o grito de Galo. Aquele estava longe de ser um domingo comum.

Antes do jogo, comentava-se também a dívida daquele time para com a torcida e como a mesma deveria ser paga. Uma derrota ou um empate naquele jogo serviria apenas para golpear ainda mais a ferida da Massa, que queria a volta da antiga raça e espírito vingador do time.

O jogo começou e as quase 18 mil vozes que gritavam da arquibancada pediam por raça do time todo. Parecia que os jogadores haviam entendido o pedido e enquanto a equipe mostrava raça, a torcida apoiava. A comemoração dos gols foram de uma forma que eu não via a anos. Alguns pulavam, outros olhavam para o céu azul e deferiam xingamentos. O dia não estava para o azul, tudo se encaminhava para um dia preto e branco em Minas Gerais.

No intervalo, a torcida se mostrava contente, embora o time ainda estivesse em débito com os torcedores. O segundo tempo começou e a torcida continuava a gritar, mas dessa vez o apoio da Massa parecia não fazer diferença alguma e o time azulado empatou o jogo. Dessa feita, os gritos de apoio se transformaram em protesto.
O atacante que vestia o manto alvinegro parece ter se lembrado da época de “tatuzinho azul” quando perdeu aquele gol embaixo das traves. Imagino que, nesse momento, atleticanos de todos os cantos do mundo recordaram os dias azuis de Guilherme e juntos gritaram “Marioso, filho da p..., viado”.

Ao final de partida os gritos deram lugar às vaias e o respeito dos adversários não existiam mais. E pior, também não existia o respeito dos jogadores do próprio Atlético com a instituição. Quem quer respeito, primeiramente, deve se respeitar e o que vemos no Clube Atlético Mineiro hoje passa muito longe de respeito. Se, por exemplo, há 13 anos atrás um jogador rival desse uma cotovelada em algum jogador atleticano como vimos hoje, partiriam pra cima dele: Galván, Caçapa, Guilherme, Gallo, Valdir, etc. Isso não é violência, é gana, raça, não ter sangue de barata e mais que isso é ter estima por si próprio e à camisa que veste.

Dar soco em porta de vestiário e ganhar centenas de milhares é fácil, difícil é pagar ingresso, ir até Sete Lagoas ter que acordar no outro dia com a alma ferida.

Hoje é mais um dia que gritos não me deixarão dormir. O futuro atleticano é um urro que ecoa em um túnel escuro que parece não ter fim.
ABRAÇO MASSA!
Matheus Canazart
  

2 comentários:

  1. texto MITO! disse tudo!
    ...Dar soco em porta de vestiário e ganhar centenas de milhares é fácil, difícil é pagar ingresso, ir até Sete Lagoas ter que acordar no outro dia com a alma ferida...

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  2. nçao tenho humor pra comentar... so duas palavras que expressa meu sentimento sobre esse time : UMA MERDA !

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