
Embora o dia 4 de dezembro ainda
estivesse na cabeça, o domingo de páscoa era aguardado por mim desde o início
do ano. Não por ser páscoa, mas por ser dia de jogo do Galo contra o time
azulado. A expectativa pelo jogo não permitiu que eu tivesse uma boa noite de
sono, talvez os gritos do dia 4 fossem responsáveis por perturbar meu sono. Mas
dia 8 seria diferente, dessa vez eu não dormiria incomodado com os gritos de
terror e sim com os gritos de felicidade.
Enquanto tirava um cochilo pela
manhã, fui acordado pelo despertador que cantava “Clube Atlético Mineiro, Galo,
Sinônimo de raça!”. Seria aquela música da Galo
Rock Band um sinal para o que aconteceria em campo naquele dia? Ainda
um pouco sonolento, perguntas gritavam em minha mente. O que acontecera com
aquele time de raça do Atlético que hoje só estava presente na memória dos
torcedores? Será que algum dia a gana, antes característica, sairia da reminiscência
e entraria em campo?
Antes de o jogo começar, o que se
via nas ruas eram atleticanos que puxavam do fundo do peito o grito de Galo. Aquele estava longe de ser um domingo comum.
Antes do jogo, comentava-se
também a dívida daquele time para com a torcida e como a mesma deveria ser
paga. Uma derrota ou um empate naquele jogo serviria apenas para golpear ainda
mais a ferida da Massa, que queria a volta da antiga raça e espírito vingador
do time.
O jogo começou e as quase 18 mil
vozes que gritavam da arquibancada pediam por raça do time todo. Parecia que os
jogadores haviam entendido o pedido e enquanto a equipe mostrava raça, a
torcida apoiava. A comemoração dos gols foram de uma forma que eu não via a
anos. Alguns pulavam, outros olhavam para o céu azul e deferiam xingamentos. O
dia não estava para o azul, tudo se encaminhava para um dia preto e branco em
Minas Gerais.
No intervalo, a torcida se
mostrava contente, embora o time ainda estivesse em débito com os torcedores. O
segundo tempo começou e a torcida continuava a gritar, mas dessa vez o apoio da Massa parecia não fazer diferença alguma e o time azulado empatou o jogo. Dessa
feita, os gritos de apoio se transformaram em protesto.
O atacante que vestia o manto
alvinegro parece ter se lembrado da época de “tatuzinho azul” quando perdeu
aquele gol embaixo das traves. Imagino que, nesse momento, atleticanos de todos
os cantos do mundo recordaram os dias azuis de Guilherme e juntos gritaram
“Marioso, filho da p..., viado”.
Ao final de partida os gritos
deram lugar às vaias e o respeito dos adversários não existiam mais. E pior,
também não existia o respeito dos jogadores do próprio Atlético com a
instituição. Quem quer respeito, primeiramente, deve se respeitar e o que vemos
no Clube Atlético Mineiro hoje passa muito longe de respeito. Se, por exemplo, há
13 anos atrás um jogador rival desse uma cotovelada em algum jogador atleticano
como vimos hoje, partiriam pra cima dele: Galván, Caçapa, Guilherme, Gallo,
Valdir, etc. Isso não é violência, é gana, raça, não ter sangue de barata e
mais que isso é ter estima por si próprio e à camisa que veste.
Dar soco em porta de vestiário e
ganhar centenas de milhares é fácil, difícil é pagar ingresso, ir até Sete
Lagoas ter que acordar no outro dia com a alma ferida.
Hoje é mais um dia que gritos não
me deixarão dormir. O futuro atleticano é um urro que ecoa em um túnel escuro
que parece não ter fim.
ABRAÇO MASSA!
Matheus Canazart





texto MITO! disse tudo!
ResponderExcluir...Dar soco em porta de vestiário e ganhar centenas de milhares é fácil, difícil é pagar ingresso, ir até Sete Lagoas ter que acordar no outro dia com a alma ferida...
nçao tenho humor pra comentar... so duas palavras que expressa meu sentimento sobre esse time : UMA MERDA !
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