Lembro-me de quando tinha 3, 4 anos e pedia para meu pai me levar ao estádio, fosse ele o Independência ou o Mineirão, de qualquer maneira eu queria ir ao jogo do Galo. Embora o conhecimento sobre futebol fosse ainda bem pequeno, eu sempre gostei de ir ao campo, nem tanto pela futebol em si, mas pelo clima fantástico criado em partidas do alvinegro.
Eu me encantava com aquele “tantão” de gente gritando, comemorando e cantando, todos juntos, parecendo formar uma só voz, aquela multidão com sorriso no rosto e com músicas e cantos de apoio ao time na ponta da língua.
Um desses cantos pra mim sempre fora especial, desde muito novo, o grito de “Olê Marques!” sincronizado com as palmas sempre causou arrepios, o carinho daquele “tantão” de gente com o “moço da camisa nove” nunca me assustara, sempre fui fã do Calango, algo hereditário, afinal meu pai também sempre foi um atleticano de alma e um fã assumido do moço, que junto com o amigo Guilherme, encantou milhões e milhões de atleticanos.
Meu pai sempre teve Marques como um ídolo, idolatria essa que ele me passou e desde novo eu adorava ir, principalmente no Independência, ficar no alambrado gritando Marques durante o jogo inteiro e mesmo com pessoas me dizendo que ele não poderia olhar, porque estava concentrado no jogo, eu sempre tive a esperança que o calango escutaria a voz daquele garotinho em meia a uma verdadeira multidão e responderia com um aceno.
Embora nunca tivesse recebido o tão sonhado aceno, os gols e as jogadas do Messias Alvinegro sempre me fascinaram, e eu era mais um dos que levantavam os braços batendo palmas e ao mesmo tempo gritando do fundo do peito “Olê Marques!”.
Somente em sua primeira passagem pelo Atlético foram mais de 4 anos gritando o nome do Messias, mesmo em casa assistindo jogos pela televisão, eu sempre fiz questão de entoar aquele grito de apoio ao ídolo de milhões e milhões de pessoas.
No final de 2002, um pouco mais velho, vi o Xodó deixar o Galo para jogar no Vasco, embora chateado, eu tinha a certeza que o “moço da camisa 9” um dia voltaria para os braços da massa atleticana.
Após passagem pelo Japão, foi exatamente nos braços da massa que Marques foi recebido quando voltou em 2005, jamais me esquecerei daquela cena que vi pela televisão. O ídolo de uma Nação, sendo carregado nos braços por vários atleticanos, braços esses um dia usados para bater palmas em sincronia ao tão famoso grito. Em retribuição a tamanho carinho, o idolatrado “moço da camisa nove” cantou do fundo do peito o hino da Nação pela qual ele nunca escondera seu amor. Felicidade imensa, porque mais uma vez eu junto a uma multidão poderia voltar a gritar “Olê Marques!” e ver o xodó entortar os adversários com a tão conhecida jogada pelo lado esquerdo e mais uma vez fazer um artilheiro.
Porém naquele ano de 2005, Marques não tinha o gordinho Guilherme a seu lado, e parece que os outros centroavantes não conseguiam acompanhar o pensamento do Messias, que mesmo aos 32 anos ainda estava em plena forma técnica e física.
Ainda no início do ano de 2006, o calango mais uma vez deixara o Atlético rumo ao futebol do Japão, mas a certeza que um dia ele voltaria para se despedir daquele “tantão” de gente, que roucos ficavam de tanto gritar "Olê Marques!”, era absoluta.
Três anos se passaram até que em 2008, o ano do centenário do clube, nós atleticanos mais uma vez teríamos a possibilidade de soltar do fundo do peito aquele verdadeiro hino com o nome do ídolo, que voltava para encerrar a carreira no glorioso.
Embora aqueles anos de 2008, 2009 e 2010 terem ficado marcado por lesões, a massa se sentia honrada de ter o ídolo fazendo parte do elenco atleticano, embora soubéssemos que as condições físicas já não fossem iguais as de dez anos atrás, a vontade e amor a camisa demonstrada pelo calango continuavam as mesmas, assim como o grito de “Olê Marques!”, que eu juntamente com toda aquela multidão tínhamos o orgulho de cantar do fundo do peito.
Marques havia decidido que encerraria sua carreira ao final do ano de 2010, o que acabou sendo antecipado pela falta de consideração de um treinador e de uma diretoria que trataram o Messias como se ele fosse um jogador qualquer.
Porém, antes da aposentadoria antecipada, o Xodó da massa tinha guardado um momento emocionante para qualquer atleticano. Aquele dia 2 de Maio de 2010 entrou para um dos momentos mais emocionantes que vivi como torcedor, nem tanto pela vitória sobre o Ipatinga ou pelo 40º Campeonato Mineiro conquistado pelo Atlético, mas sim porque vi o calango entrar já no final do jogo, roubar uma bola na intermediária, tabelar com Ricardinho, receber na área e fazer o gol do título, aos 44 minutos do segundo tempo da partida, o Mineirão explodia em festa enquanto eu ficava paralisado vendo Marques tirar a camisa, que dessa vez não era a nove, e fazê-la de bandeira, demonstrando que toda a história no Atlético, fez dele um atleticano. Os olhos encheram d’agua ao ver aquela comemoração do último e em minha opinião mais emocionante gol do ídolo vestindo a camisa atleticana.
Uma semana depois de tal emoção, o Calango foi “obrigado” a encerrar a carreira. Naquele dia Marques deixara de ser jogador para se tornar um mito, um eterno ídolo de milhões de apaixonados.
Hoje, dia 12 de Fevereiro de 2012, Marques Batista de Abreu, ou simplesmente Marques, completa 39 anos e esse texto e o vídeo a seguir foram as formas que encontrei para fazer uma homenagem ao maior ídolo que tenho no esporte, pelo que foi dentro de campo e pelo que é fora dele. Parabéns eterno dono da 9.
ABRAÇÃO MASSA!
ABRAÇÃO MARQUES!






Fantástico! Homenagem à altura para o nosso camisa 9 da modernidade! Parabens ao Marques e à quem fez este maravilhoso presente! Fez-me emocionar como nos velhos tempos........
ResponderExcluirsempre será ! meu idolo eterno...
ResponderExcluirAinda espero um camisa 9, como todo respeito ao Marques ... como tbm espero anos de glória !
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